Empresária simboliza o potencial do semiárido, onde o terroir permite colher uvas o ano inteiro
A capa da primeira edição da revista Terroir Nordeste une poesia e realidade: os cachos de cabelo da empresária e gastrônoma Mariana Lucena refletem os cachos de uva que tornaram o Vale do São Francisco um fenômeno único no mundo.
Graças ao clima semiárido irrigado pelas águas do Rio São Francisco, a região consegue até três colheitas de uva por ano, produzindo sem interrupções e transformando o sertão em polo de vinhos, espumantes e frutas reconhecidos internacionalmente. É uma abundância que gera milhares de empregos e posiciona o Nordeste como referência em inovação e excelência agrícola.
Essa mesma generosidade da terra se espelha na trajetória de Mariana. Há mais de 12 anos à frente do Fiordes Buffet, ela se tornou guardiã das celebrações mais sofisticadas de Pernambuco. Seu diferencial está no gesto inicial: ouvir histórias. “A alta gastronomia não começa na cozinha, começa na escuta. O sabor mais inesquecível é aquele que traduz um sentimento”, afirma.
Mãe de quatro filhos, esposa e empresária, Mariana integra papéis com naturalidade, transformando afetos em experiências. “Minha família é meu terroir particular. É o solo de onde tiro minha força para servir”, resume.
Sua escolha como rosto da Terroir Nordeste traduz um manifesto: assim como o solo fértil do Vale nunca deixa de produzir, Mariana nunca deixa de criar. Se os cachos de uva são o ouro da região, Mariana Lucena é a expressão humana dessa abundância, tornando-se símbolo da riqueza, da potência e da fertilidade que definem o Nordeste.

1. O que o semiárido e o Vale do São Francisco representam para você?
Para mim, o semiárido e, especialmente, o Vale do São Francisco são a prova viva da resiliência e da abundância. É um lugar que nos ensina que, mesmo nas condições que parecem mais desafiadoras, a vida pode florescer de forma extraordinária. Ver aquela terra, irrigada pelas águas do “Velho Chico”, produzir uvas o ano inteiro, gerando emprego e um reconhecimento internacional tão bonito, é algo que me emociona profundamente. Representa a potência da nossa região, uma fonte de inovação e de um orgulho imenso para todo o Nordeste.
2. Como o terroir nordestino inspira o seu trabalho e sua forma de criar?
O terroir nordestino é minha maior inspiração! A generosidade dessa terra, que produz sem parar, que se reinventa, me motiva a estar em constante criação também. No meu trabalho à frente do Fiordes, eu busco refletir essa mesma abundância e essa capacidade de transformar o que temos de mais autêntico em experiências memoráveis. Assim como o solo fértil nutre a uva, eu me nutro das histórias das pessoas para criar celebrações que tenham sabor de verdade, de afeto e de pertencimento.
3. Por que você diz que a alta gastronomia começa na escuta?
Porque a comida, para mim, é uma das formas mais poderosas de contar histórias e traduzir sentimentos. Antes de pensar em qualquer ingrediente ou técnica, eu preciso entender o que aquela celebração significa para a pessoa. Qual é o sentimento que ela quer guardar para sempre? O que ela quer dizer aos seus convidados através dos sabores? A alta gastronomia de verdade não é sobre o luxo ou a complexidade, é sobre a conexão. E essa conexão só nasce quando a gente para, abre o coração e realmente escuta. O sabor mais inesquecível é sempre aquele que traduz um sentimento, que toca a alma.
4. De que forma sua família se conecta com sua trajetória profissional?
Minha família é tudo. Eu costumo dizer que eles são o meu “terroir particular”. São o meu solo fértil, a minha base, o lugar de onde eu tiro toda a minha força para criar, para servir, para empreender. Ser mãe de quatro filhos, esposa e empresária não são papéis separados para mim; eles se integram e dão sentido um ao outro. O afeto que eu vivo e aprendo em casa é o mesmo afeto que eu tento traduzir nas experiências que crio no meu buffet. É essa força do amor que me move e me sustenta.
5. O que significa, para você, ser o rosto da Terroir Nordeste?
Ah, é uma honra que mal cabe em mim. Sinto uma responsabilidade imensa e, ao mesmo tempo, uma alegria e uma gratidão profundas. Ser o rosto da Terroir Nordeste é, para mim, uma forma de celebrar a força da nossa terra e da nossa gente. Quando vi aquela capa, com meus cabelos refletindo os cachos de uva, eu entendi que não era só sobre mim. É sobre ser um espelho dessa abundância, dessa potência criativa que o Vale do São Francisco nos mostra todos os dias. Significa representar a fertilidade do nosso solo e a força da mulher nordestina, que, assim como a nossa terra, nunca para de criar e de gerar frutos. É um verdadeiro manifesto de amor ao nosso Nordeste.
