Por trás da iguaria servida fresca à mesa, existe uma saga que atravessa 15 anos. Uma história movida pela obstinação de um homem em compreender o mar, domar a salinidade e revelar o sabor mais puro que as águas nordestinas podem oferecer.
A palavra terroir costuma remeter às vinhas. Mas quem vive do mar sabe: as águas também têm identidade. Elas carregam sal, minerais, temperaturas e silenciosas narrativas que moldam aquilo que nelas cresce. É nessa fronteira — onde natureza, técnica e intuição se encontram — que nasce a trajetória da Ostramar, projeto que redefiniu o padrão da ostreicultura no Nordeste.

O chamado do mar
A história começa com as memórias de infância de Casaiano Periquito. Criado entre marés e areia, formou seu paladar nas ostras frescas que marcavam suas lembranças. Mesmo após se tornar advogado, o mar continuou chamando — até que ele cedeu. Trocou a beca pela criação de camarões. Mas foi em Caiçara do Norte (RN), numa prainha de águas translúcidas e intocadas, que o destino decidiu acelerar o rumo.
Lá, Casaiano encontrou ostras nativas gigantes, com três anos de maturação. Um encontro que virou epifania. Nascia ali sua busca pela ostra ideal — com sabor, textura e saúde impecáveis.
Durante cinco anos, percorreu o litoral de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, investigando águas, consultando laboratórios e ajustando cada variável possível. Nenhum estudo acadêmico: só observação, técnica empírica e o rigor de quem entende que excelência não se terceiriza.

Tibau do Sul: o terroir perfeito
Depois de anos de experimentação, Casaiano encontrou seu “Santo Graal” em Tibau do Sul (RN). Um ambiente onde salinidade, temperatura, profundidade e correnteza se encontram em um raro equilíbrio.
“Buscávamos a ostra mais gostosa e, acima de tudo, a mais saudável.
Em 15 anos neste terroir perfeito, com mais de 1,3 milhão de ostras por ano,
nunca tivemos uma única ocorrência. É a ostra que minha família come —
e é essa segurança que servimos.”
— Casaiano Periquito
A partir dali, a Ostramar consolidou-se como referência regional, fornecendo para restaurantes, hotéis, chefs e consumidores exigentes que compreendem a diferença entre uma ostra fresca — e uma ostra viva.
Do mar ao aquário: frescor absoluto
A grande inovação da Ostramar não aconteceu no mar, mas nos restaurantes.
Casaiano implementou aquários próprios nos estabelecimentos parceiros, e no restaurante-conceito, garantindo que as ostras permanecessem vivas, filtrando água e respirando até o instante do serviço. O resultado? Uma experiência de “colheita ao vivo”, recreando o frescor de quem as retira diretamente das águas.
É um salto qualitativo no serviço, um rito de respeito ao produto — e ao cliente.

O restaurante-conceito: onde o medo vira paixão
Para muitos brasileiros, a ostra ainda é um território temido. A Ostramar abriu seu restaurante-escola para quebrar esse tabu. Ali, iniciantes vivem seu “batismo gastronômico”: diante da segurança absoluta do produto, o receio dá lugar ao espanto — e ao encantamento.
Além das ostras, o cardápio traz delicadezas como o “Caviar do Nordeste”, ovas de peixe-voador que ampliam o repertório de sabores do litoral potiguar.
A harmonização, conduzida com precisão, combina espumantes, vinhos brancos e frisantes, criando experiências que aproximam a gastronomia regional da alta cozinha internacional.
Jardim do Fogo: quando a brasa encontra o mar
Às quartas e sábados, a área externa do restaurante se transforma no Jardim do Fogo. Debaixo das árvores, o forno a lenha recebe polvos, peixes nobres — como o filhote — e camarões defumados.
A rusticidade da brasa se encontra com a delicadeza dos frutos do mar, criando uma cozinha direta, mineral, ancestral. É gastronomia sem artifícios, sustentada pelo equilíbrio entre técnica e território.
O sabor que nasce da verdade
A Ostramar não vende apenas ostras. Ela entrega uma filosofia.
Uma forma de olhar para o mar, respeitar o tempo da natureza e honrar a inteligência do paladar. É o terroir nordestino em sua versão mais líquida e preciosa — aquela que só nasce quando paixão, rigor e ciência aprendem a trabalhar juntos.