Tássya Brielly: a voz indígena que leva Mirandiba ao país e mantém o Nordeste inteiro dentro de cada palavra

Aos 27 anos, com a serenidade de quem sabe de onde vem e a coragem de quem sabe para onde...


Por: Redação Terroir NE
Publicado em: 09/12/2025
Tássya Brielly: a voz indígena que leva Mirandiba ao país e mantém o Nordeste inteiro dentro de cada palavra

Aos 27 anos, com a serenidade de quem sabe de onde vem e a coragem de quem sabe para onde quer ir, Tássya Brielly fez o Brasil voltar os olhos para o Sertão Central. Natural de Mirandiba, município a 60 km de Salgueiro, a cantora indígena da etnia Pankará emocionou o público e os jurados do The Voice Brasil, exibido pelo SBT e Disney+, ao interpretar “Sinais de Fogo”, clássico de Preta Gil.



Uma voz moldada pelo Sertão
Filha da técnica de enfermagem Maria do Desterro e do comerciante Zé Filho, Tássya cresceu entre as paisagens áridas, as conversas de quintal e a musicalidade natural das pequenas cidades do sertão. Embora viva há 11 anos no Recife, onde se formou em Arquitetura e Urbanismo e trabalha hoje em uma loja de roupas, é em Mirandiba que habita sua voz.

“Nasci e cresci em Mirandiba. Toda a minha construção foi feita lá. Ao cantar, lembro e trago a forma que falamos cada palavra. É muito importante para mim”, conta.

Tássya fala da avó, das conversas simples da vida e do sotaque como quem fala de um tesouro. Um território que não se apaga, mesmo quando a cidade fica para trás na geografia. “Sinto que precisamos cada vez mais nos juntar para levar o nosso Nordeste pro mundo. Nos entendíamos com uma palavra. O olhar muda quando sabemos que viemos do mesmo lugar”, diz Tássya

Arte como verdade sem concessões
Levar o sotaque, a estética e a força do sertão para o palco nacional não foi um desafio, mas um compromisso. “Eu cheguei lá por ser quem sou, sem mudar nada. Era meu objetivo: mostrar ao mundo a minha verdade, sem amarras”, afirma.
No programa, ela não apresentou apenas uma voz, apresentou um modo de falar, de existir e de se orgulhar de onde veio.

Um orgulho que ecoa
Em Mirandiba, a repercussão foi imediata. A mãe, emocionada, disse que a filha “desperta orgulho e inspira jovens a acreditarem nos seus talentos”. E o sentimento parece compartilhado pelo sertão inteiro.
Tássya carrega origem no timbre, ancestralidade no gesto e coragem no olhar. Não é apenas uma artista em ascensão, é uma narradora do Nordeste contemporâneo. Uma voz que não pede licença: chega inteira, bonita e verdadeira. E leva com ela Mirandiba, os Pankará e todo um sertão que, finalmente, se reconhece na TV.