Vinhos espumantes do sertão nordestino se destacam em premiações nacionais e internacionais

“Beber estrelas” teria sido a forma que Dom Pierre Pérignon de Hautvillers, monge beneditino francês do século XVII, usou para descrever a maravilha que um gole de champanhe causa. Ele aprimorou a técnica de elaborar este tipo de vinho, que precisa de uma segunda fermentação para manter o gás carbônico, responsável pela sensação tão poeticamente traduzida por ele. Os champanhes só podem receber o rótulo se forem produzidos na região de Reims, na França, mas todos os vinhos que possuem gás carbônico, passam por uma segunda fermentação e apresentam uma pressão interna alta são espumantes, inclusive os champanhes. E no Brasil, mais especificamente no Nordeste, os espumantes estão gerando estrelas no paladar e nas premiações, com rótulos reconhecidos nacional e internacionalmente.
As vinícolas na região do Vale do Rio São Francisco, nos estados de Pernambuco e da Bahia, produzem vinhos tranquilos – que não possuem gás carbônico – e espumantes, e são a única localidade do mundo que consegue gerar mais de uma safra de uvas por ano. O sol constante ajuda, mas foi o sistema de irrigação das águas do Rio São Francisco que possibilitou a empreitada de produção de vinho em um lugar tão seco. “A tecnologia da irrigação permite, além da possibilidade de se fornecer água para se produzir, o ajuste técnico da irrigação para fornecimento de água à planta na quantidade mais próxima do ideal, em função da demanda específica da planta em cada fase do seu ciclo de produção. Em razão das condições climáticas naturais específicas da região, com insolação praticamente o ano inteiro, a região passa ainda a ter exclusividade na liberdade de produzir uvas em todos os 365/366 dias do ano”, explicou o professor de Viticultura e Enologia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão de Pernambuco, Francisco Macedo de Amorim.
O pesquisador também ressaltou que a produção comercial dos vinhos na região teve início na década de 1980 e a bebida tinha um perfil jovem, fresco e frutado. “Hoje, além dos vinhos com essas características, destinados ao rápido consumo – normalmente dois a três anos -, já é possível encontrarmos também vinhos envelhecidos com um perfil de maior evolução e maturação em barricas, em tanques ou em garrafas”, destacou Amorim. É fato que, da década de 1980 para cá, a trajetória de produção dos vinhos da região é de crescimento e de fortalecimento. E o reconhecimento da qualidade do que é produzido aqui, principalmente no quesito espumante, pode ser certificada pelos prêmios nacionais e internacionais que alguns rótulos já receberam.
Companhia ideal para um momento festivo, um espumante leve pode ser a melhor escolha para acompanhar uma salada ou petiscos e entradas refrescantes. Já um espumante com mais estrutura vai bem com peixes mais gordurosos, pratos de massas ou risotos. E os mais doces, como os feitos com a uva moscatel, são o par perfeito para sobremesas. Qualquer que seja o desejo, um espumante nordestino já premiado pode ser a escolha para a harmonização mais acertada.
Com informações da Associação Brasileira de Enologia (ABE)





